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O Mundo Para Todos
19/01/10
Estava eu lendo algumas coisas aqui no meu quarto, quando passo por alguns exemplos de redações embasadas em exemplos, e uma das que mais me chamou a atenção foi a do Cristovam Buarque, ex-governador do Distrito Federal, atualmente senador. Apesar de ser bem antigo e ter saído no jornal O Globo em 2000, eu apenas havia ouvido falar, mas nunca tinha lido realmente. Enfim… achei interessante e resolvi transcrever pra vocês aqui:
O mundo para todos
Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo . O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado ou destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos Estados Unidos têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.
O iPhone é ruim para a internet?
12/11/09
A internet era para ser aberta. Os smartphones não são nem um pouco.
A Apple vem recebendo muito atenção negativa da mídia recentemente, e por uma boa razão: a empresa rejeitou diversas aplicações para o iPhone que não aparentavam problema nenhum. Isso significa que a empresa está, efetivamente, dizendo o que as pessoas podem e não podem fazer na web.
Parece haver duas questões. A primeira é que as operadoras de rede, notadamente a AT&T nos EUA, não gostam de nada que ameace seus lucros – então Skype e Slingplayer ficaram restritos a uso via Wi-Fi, apesar de ser perfeitamente possível usar a rede 3G (chegando a estar disponíveis, inclusive, em alguns celulares 3G da própria AT&T).
Parece ter sido essa, também, a razão por trás da rejeição inesperada da aplicação oficial do Google Voice. A decisão é agora objeto de investigação de uma comissão federal de comunicação norte-americana. A segunda questão é manter as crianças longe de conteúdo inadequado. Softwares como leitores de ebooks são marcados como ‘adults-only’ (somente para adultos) porque dão acesso à rede por completo – o que não seria problema desde que a Apple aplicasse a mesma lógica a seu navegador Safari. É claro que não aplica.
O iPhone provavelmente nunca terá plataforma aberta, mas há uma grande diferença entre controle de qualidade e excesso de controle. É algo ruim para a web mobile: se a Microsoft e provedores tivessem feito o mesmo nos anos 1990,a internet como a conhecemos não existiria.





