A internet era para ser aberta. Os smartphones não são nem um pouco.

A Apple vem recebendo muito atenção negativa da mídia recentemente, e por uma boa razão: a empresa rejeitou diversas aplicações para o iPhone que não aparentavam problema nenhum. Isso significa que a empresa está, efetivamente, dizendo o que as pessoas podem e não podem fazer na web.

Parece haver duas questões. A primeira é que as operadoras de rede, notadamente a AT&T nos EUA, não gostam de nada que ameace seus lucros – então Skype e Slingplayer ficaram restritos a uso via Wi-Fi, apesar de ser perfeitamente possível usar a rede 3G (chegando a estar disponíveis, inclusive, em alguns celulares 3G da própria AT&T).

Parece ter sido essa, também, a razão por trás da rejeição inesperada da aplicação oficial do Google Voice. A decisão é agora objeto de investigação de uma comissão federal de comunicação norte-americana. A segunda questão é manter as crianças longe de conteúdo inadequado. Softwares como leitores de ebooks são marcados como ‘adults-only’ (somente para adultos) porque dão acesso à rede por completo – o que não seria problema desde que a Apple aplicasse a mesma lógica a seu navegador Safari. É claro que não aplica.

O iPhone provavelmente nunca terá plataforma aberta, mas há uma grande diferença entre controle de qualidade e excesso de controle. É algo ruim para a web mobile: se a Microsoft e provedores tivessem feito o mesmo nos anos 1990,a internet como a conhecemos não existiria.